
sexta-feira, fevereiro 11, 2011
quinta-feira, fevereiro 10, 2011
Não digas nada
Não digas nada!
Nem mesmo a verdade
Há tanta suavidade em nada se dizer
E tudo se entender —
Tudo metade
De sentir e de ver...
Não digas nada
Deixa esquecer
Talvez que amanhã
Em outra paisagem
Digas que foi vã
Toda essa viagem
Até onde quis
Ser quem me agrada...
Mas ali fui feliz
Não digas nada.
Fernando Pessoa, in "Cancioneiro"
Nem mesmo a verdade
Há tanta suavidade em nada se dizer
E tudo se entender —
Tudo metade
De sentir e de ver...
Não digas nada
Deixa esquecer
Talvez que amanhã
Em outra paisagem
Digas que foi vã
Toda essa viagem
Até onde quis
Ser quem me agrada...
Mas ali fui feliz
Não digas nada.
Fernando Pessoa, in "Cancioneiro"
segunda-feira, fevereiro 07, 2011
A melhor peça de teatro que vi na vida
Musica
Para começar a semana com musica
sexta-feira, fevereiro 04, 2011
quinta-feira, fevereiro 03, 2011
Recordações - IV
Foi o silêncio o que mais me marcou naquela visita.
O espaço amplo, as casernas, as camaratas, a camara de gás, os fornos, as fotos, tudo isso já tinha visto retratado em filmes sobre o holocausto, que aliás, sempre foram os meus preferidos (como todos aqueles que apelam ao sentimento de injustiça), mas aquele silêncio de profundo respeito pela história não mais o esqueci.
Foto: Porta da entrada
Estas fotos foram tiradas por mim, aqui e aqui ver mais fotos.
quarta-feira, fevereiro 02, 2011
segunda-feira, janeiro 31, 2011
posts em Janeiro.mesmo sabendo que muito provavelmente não será mantido este ritmo, foi um bom trabalho!!!
domingo, janeiro 30, 2011
A bela Infanta

Estava a bela infanta
No seu jardim assentada,
Como o pente de oiro fino
Seus cabelos penteava.
Deitou os olhos ao mar
Viu vir uma nobre armada;
Capitão que nela vinha,
Muito bem que a governava.
– «Diz-me, ó capitão
Dessa tua nobre armada,
Se encontraste meu marido
Na terra que Deus pisava?»
– «Anda tanto cavaleiro
Naquela terra sagrada...
Diz-me tu, ó senhora,
As senhas que ele levava.»
– «Levava cavalo branco,
Selim de prata doirada;
Na ponta da sua lança
A cruz de Cristo levava.»
– «Pelos sinais que me deste
Lá o vi numa estacada
Morreu morte de valente:
Eu sua morte vingava.»
– «Ai triste de mim viúva,
Ai triste de mim coitada!
De três filhinhas que tenho,
Sem nenhuma ser casada!...»
– «Que dirias tu, senhora,
A quem no trouxera aqui?»
– «Dera-lhe oiro e prata fina,
Quanta riqueza há por i.»
– «Não quero oiro nem prata,
Não nos quero para mi:
Que darias mais, senhora,
A quem no trouxera aqui?»
– «De três moinhos que tenho,
Todos três tos dera a ti;
Um mói o cravo e a canela1 0
Outro mói do gerzeli:1 1
Rica farinha que fazem!
Tomara-os el-rei pra si»
– «Os teus moinhos não quero
Não nos quero para mi;
Que diria mais senhora,
A quem to trouxera aqui?»
– «As telhas do meu telhado
Que são oiro e marfim.»
– «As telhas do teu telhado
Não nas quero para mi:
Que darias mais, senhora,
A quem no trouxera aqui?»
– «De três filhas que eu tenho,
Todas três te daria a ti:
Uma para te calçar,
Outra para te vestir,
A mais formosa de todas
Para contigo dormir.»
– «As tuas filhas, infanta,
Não são damas para mi:
Dá-me outra coisa senhora,
Se queres que o traga aqui.
– «Não tenho mais que te dar,
Nem tu mais que me pedir.»
– «Tudo, não, senhora minha,
Que inda te não deste a ti.»
– «Cavaleiro que tal pede,
Que tão vilão é de si
Por meus vilões arrastado
O farei andar aí
Ao rabo do meu cavalo
À volta do meu jardim
Vassalos, os meus vassalos,
Acudi-me agora aqui!»
– «Este anel de sete pedras
Que eu contigo reparti...
Que é dela a outra metade?
Pois a minha, vê-la aí!»
– «Tantos anos que chorei,
Tantos sustos que tremi!...
Deus te perdoe, marido,
Que me ias matando aqui.
Estava a bela infanta
Na sua varanda alvoraçada,
Com o seu telemóvel de espessura fina,
Quando viu chegar
um carro topo de gama
Conduzido por um gentil cavalheiro.
Perguntou-lhe a bela infanta:
- « Ó cavalheiro dize-me:
Se nesses cafés por onde andas,
Viste um empregado de mesa
Com elegância extrema?»
- « Andava tanto empregado de mesa
por esses cafés e por aí,
dize-me o que usava?»
- « Usava calças pretas
e casaco castanho,
Uma mala ao xadrez,
cor de canela
E exclusivos sapatos de fivela.»
- « Não vi empregado de mesa
Com esses sinais, não vi.
- « Ai triste de mim, viúva
Com três televisões LG
E nenhuma foi estreada!»
- « Que davas tu, a quem to trouxera aqui?»
- « As três televisões que tenho
Os quatro computadores portáteis,
Os sete rádios,
Todo o meu dinheiro,
Tudo te dera a ti.»
- « Não quero nada disso!
Mas ainda não se ofereceu a si!»
- « Uma boa forma de roubar,
Mas que vilão é você
Que me está a importunar?»
- « Este anel em ouro,
de África do Sul
Está aqui!
Que é feito do outro
que a ti ofereci?»
- «Tantas saudades tive,
Tantos SMS te enviei
Que até o saldo gastei!
Mas perdoa-me aqui marido
Que tantos nomes te chamei…
Te juro que me ias matando aqui,
Ai que agora me desfaleci!»
No seu jardim assentada,
Como o pente de oiro fino
Seus cabelos penteava.
Deitou os olhos ao mar
Viu vir uma nobre armada;
Capitão que nela vinha,
Muito bem que a governava.
– «Diz-me, ó capitão
Dessa tua nobre armada,
Se encontraste meu marido
Na terra que Deus pisava?»
– «Anda tanto cavaleiro
Naquela terra sagrada...
Diz-me tu, ó senhora,
As senhas que ele levava.»
– «Levava cavalo branco,
Selim de prata doirada;
Na ponta da sua lança
A cruz de Cristo levava.»
– «Pelos sinais que me deste
Lá o vi numa estacada
Morreu morte de valente:
Eu sua morte vingava.»
– «Ai triste de mim viúva,
Ai triste de mim coitada!
De três filhinhas que tenho,
Sem nenhuma ser casada!...»
– «Que dirias tu, senhora,
A quem no trouxera aqui?»
– «Dera-lhe oiro e prata fina,
Quanta riqueza há por i.»
– «Não quero oiro nem prata,
Não nos quero para mi:
Que darias mais, senhora,
A quem no trouxera aqui?»
– «De três moinhos que tenho,
Todos três tos dera a ti;
Um mói o cravo e a canela1 0
Outro mói do gerzeli:1 1
Rica farinha que fazem!
Tomara-os el-rei pra si»
– «Os teus moinhos não quero
Não nos quero para mi;
Que diria mais senhora,
A quem to trouxera aqui?»
– «As telhas do meu telhado
Que são oiro e marfim.»
– «As telhas do teu telhado
Não nas quero para mi:
Que darias mais, senhora,
A quem no trouxera aqui?»
– «De três filhas que eu tenho,
Todas três te daria a ti:
Uma para te calçar,
Outra para te vestir,
A mais formosa de todas
Para contigo dormir.»
– «As tuas filhas, infanta,
Não são damas para mi:
Dá-me outra coisa senhora,
Se queres que o traga aqui.
– «Não tenho mais que te dar,
Nem tu mais que me pedir.»
– «Tudo, não, senhora minha,
Que inda te não deste a ti.»
– «Cavaleiro que tal pede,
Que tão vilão é de si
Por meus vilões arrastado
O farei andar aí
Ao rabo do meu cavalo
À volta do meu jardim
Vassalos, os meus vassalos,
Acudi-me agora aqui!»
– «Este anel de sete pedras
Que eu contigo reparti...
Que é dela a outra metade?
Pois a minha, vê-la aí!»
– «Tantos anos que chorei,
Tantos sustos que tremi!...
Deus te perdoe, marido,
Que me ias matando aqui.
(Almeida Garret)
Estava a bela infanta
Na sua varanda alvoraçada,
Com o seu telemóvel de espessura fina,
Quando viu chegar
um carro topo de gama
Conduzido por um gentil cavalheiro.
Perguntou-lhe a bela infanta:
- « Ó cavalheiro dize-me:
Se nesses cafés por onde andas,
Viste um empregado de mesa
Com elegância extrema?»
- « Andava tanto empregado de mesa
por esses cafés e por aí,
dize-me o que usava?»
- « Usava calças pretas
e casaco castanho,
Uma mala ao xadrez,
cor de canela
E exclusivos sapatos de fivela.»
- « Não vi empregado de mesa
Com esses sinais, não vi.
- « Ai triste de mim, viúva
Com três televisões LG
E nenhuma foi estreada!»
- « Que davas tu, a quem to trouxera aqui?»
- « As três televisões que tenho
Os quatro computadores portáteis,
Os sete rádios,
Todo o meu dinheiro,
Tudo te dera a ti.»
- « Não quero nada disso!
Mas ainda não se ofereceu a si!»
- « Uma boa forma de roubar,
Mas que vilão é você
Que me está a importunar?»
- « Este anel em ouro,
de África do Sul
Está aqui!
Que é feito do outro
que a ti ofereci?»
- «Tantas saudades tive,
Tantos SMS te enviei
Que até o saldo gastei!
Mas perdoa-me aqui marido
Que tantos nomes te chamei…
Te juro que me ias matando aqui,
Ai que agora me desfaleci!»
(Versão do Agrupamento de Escola Afonso de Paiva)
Fonte: http://senhorasocrates.blogspot.com
Fonte: http://senhorasocrates.blogspot.com
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